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Reunião sobre o Porto Meridional reúne lideranças regionais e reforça mobilização pelo projeto

Encontro ocorreu na tarde desta sexta-feira (12), no auditório da Prefeitura, sob coordenação do deputado estadual Guilherme Pasin, com presença de prefeitos, vereadores, empresários e lideranças estaduais

Reunião sobre o Porto Meridional reúne lideranças regionais e reforça mobilização pelo projeto
Reunião sobre o Porto Meridional reúne lideranças regionais e reforça mobilização pelo projeto (Foto: Reprodução)

Três Cachoeiras - Uma reunião ampla e técnica sobre o Porto Meridional foi realizada na tarde desta sexta-feira, 12 de dezembro de 2025, no auditório da Prefeitura, reunindo autoridades políticas, representantes do setor produtivo e lideranças regionais. O encontro foi coordenado pelo deputado estadual Guilherme Pasin e teve como foco os impactos socioeconômicos, logísticos e ambientais do empreendimento projetado para o Litoral Norte.

A prefeita Fabiana Leffa abriu os trabalhos dando as boas-vindas aos participantes e destacando a importância do debate regional e institucional sobre um projeto de grande porte e alcance estadual.

Ao tomar a palavra, o vereador Lucas Abel justificou a criação da Comissão Especial de Impactos Socioeconômicos do Porto Meridional (CEISPOM). Segundo ele, o objetivo da comissão é aprofundar o conhecimento técnico sobre o projeto e fortalecer a organização regional. “É tomar conhecimento para apoiar um pouco mais, se organizar para se tornar mais fortes”, afirmou.

O deputado Guilherme Pasin ressaltou o caráter estratégico do investimento. “É um investimento importantíssimo, principalmente para o Litoral. Precisamos decidir se vamos apenas conviver com esse investimento ou se vamos desenhar a região para oportunizar a riqueza que vai passar por aqui, fazendo com que o entorno do porto se desenvolva”, alertou.

O ex-prefeito e liderança regional Joel Wilhelm destacou o papel do senador Luis Carlos Heinze na defesa do projeto. “O senador Heinze é incansável e foi pioneiro ao falar sobre o Porto Meridional. É preciso enaltecer esse trabalho pelo Rio Grande do Sul. O porto vai desenvolver toda a região, a Serra e o Paranhana”, afirmou. Wilhelm citou o setor calçadista, que atualmente exporta para mais de 85 países via Porto de Itajaí, em Santa Catarina, devido ao custo logístico de Rio Grande. “O Porto Meridional vai reduzir custos e impulsionar o desenvolvimento do Litoral. Cada um precisa fazer sua parte. É incrível que ainda existam posicionamentos contrários, inclusive na Assembleia Legislativa”, pontuou. Ele também mencionou a nova tributação sobre o consumo a partir de 2027 e a estimativa de circulação diária de dois a três mil caminhões na região.

O senador Heinze reforçou o caráter apartidário da mobilização. “Já estão se organizando contra o porto. A região precisa se manifestar de forma unida, acima de partidos. Não há um real de dinheiro público no projeto. Já foram investidos quase R$ 100 milhões apenas em estudos”, afirmou. O senador fez um resgate histórico da escolha do local, lembrando que o Rio Grande do Sul possui hoje o maior custo logístico do país. Ele defendeu a criação de uma frente parlamentar de vereadores, prefeitos e vice-prefeitos em apoio ao projeto e criticou a resistência de setores ligados ao Porto de Rio Grande. “Santa Catarina tem de nove a dez portos. Uma empresa já me procurou interessada em investir em fertilizantes aqui”, revelou. Heinze informou ainda que o Ibama deve emitir o parecer final para dar início às audiências públicas.

Sobre o licenciamento ambiental, o senador foi enfático: “O licenciamento é igual para todos, e o projeto precisa apresentar todas as exigências. Se houvesse risco real, não teriam sido investidos mais de R$ 100 milhões. O porto não altera a cadeia pesqueira”. Ele também contestou críticas relacionadas ao turismo e ao veraneio, citando exemplos como o Porto de Suape, em Cabo de Santo Agostinho, que convive com destinos turísticos como Porto de Galinhas.

Representando o setor empresarial da Serra, o presidente do Mobi Caxias, Rodrigo Postiglione, destacou o corredor logístico envolvendo Três Cachoeiras. Segundo ele, estão previstos cerca de R$ 400 milhões em investimentos na Rota do Sol, incluindo terceiras vias, contenções e um novo traçado para futura duplicação, dentro de um contexto de privatização da rodovia. “Caxias precisa de Três Cachoeiras. O porto tem 99% de aprovação entre os empresários. Há empresários da Serra que já compraram terras na região”, afirmou. Postilhoni adiantou ainda que, se necessário, a Marcopolo pode disponibilizar até 30 ônibus para levar pessoas às audiências públicas.

Foi informado que, dentro de aproximadamente dois meses, deverá ocorrer a audiência pública formal referente à questão ambiental.

O diretor Daniel Kohl, da DTA Engenharia, realizou uma explanação técnica sobre o projeto. Ele explicou que a profundidade natural foi um fator decisivo para reduzir a necessidade de dragagem próxima à orla. O porto estará a cerca de 120 quilômetros da cadeia produtiva do Estado, com um trecho de 26,5 quilômetros passando por Três Cachoeiras até a ponta marítima, incluindo uma ponte de aproximadamente 1.700 metros sobre a lagoa. Segundo a técnica, há discussão sobre o uso compartilhado dessa ponte, o que é considerado possível. Embora seja necessária alguma dragagem, o impacto tende a ser reduzido devido à existência de um espigão de proteção natural. A profundidade prevista é de 17 metros.

Kohl também afirmou que o porto não cria impedimentos ao uso da faixa de areia e que o terminal será multipropósito, com operação de contêineres, grãos, fertilizantes, gás e passageiros, com capacidade estimada de até 50 milhões de toneladas por ano. O termo de referência ambiental foi classificado como altamente exigente pelo Ibama. O Estudo de Impacto Ambiental foi protocolado em março deste ano e já passou por duas análises do órgão. As audiências públicas estão previstas para os meses de fevereiro e março.

Por fim, foi informado que a localização e a responsabilidade pela construção da ponte estão sendo discutidas entre a CCR e o DNIT, que pode assumir a obra, enquanto o licenciamento permanece sob responsabilidade da DTA Engenharia.

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